Síndrome de Down

Aceitação de um diagnóstico.

“Nossa filha tem uma deficiência, mas nós também temos as nossas. A diferença é que a dela tem comprovação médica, a qual não é fácil a aceitação do diagnostico, porem para nos não ha diferenças.

Descobrimos que nossa princesa tinha síndrome de Down no dia seguinte ao seu nascimento. Maria nasceu em uma sexta-feira, dia 12/6
(Dia dos Namorados).

Foi um parto rápido e às pressas, pois, com 36 semanas, eu já não tinha mais líquido amniótico, portanto, adiantamos sua chegada.

Nasceu bem, chorou, abriu os olhos e até nos presenteou com o que parecia um sorriso.

Esperávamos nossa bebê no quarto que dividíamos com outro casal, cujo bebê havia nascido junto com a Maria. O bebê do casal logo chegou, mas nossa filha, não.

Preocupados, questionamos algumas enfermeiras, mas não tivemos notícia. Às 7h, a pediatra que acompanhou o parto entrou no quarto e disse: “Bom dia! A filha de vocês está ótima! Como ela é muito pequena, a deixamos em observação até fazer alguns exames. Ah, ela tem traços de alguma síndrome, tem um probleminha no coração e nós ainda não conseguimos resposta do exame do ouvido. Mas ela está bem e daqui a algumas horas ela poderá vir ao quarto”. E saiu.

O momento da dúvida que nos apavora…

Eu  e o meu marido ficamos sem entender nada e apavorados. Assim que conseguimos quebrar o silêncio, falamos um ao outro: “Você entendeu? Tá tudo bem? Vamos fazer o possível para que tudo fique bem.

Já amamos nossa pequena e nada vai mudar nosso amor.

Senti como se eu tivesse montado um grande quebra-cabeças durante toda a minha gestação e, quando fomos ao hospital para finalmente receber nossa filha nos braços, emoldurei esse quebra-cabeças.

O momento do diagnóstico e as expectativas.

Mas ao receber a notícia, foi como se o quebra-cabeças tivesse quebrado nas minhas mãos, foi difícil a aceitação do diagnóstico.  Afinal, foi um susto imenso, pois o pré-natal não acusou qualquer problema.

Não foi fácil: quando se engravida, não se gera apenas um bebê, geram-se sonhos e desejos, criam-se expectativas. Quando alguma coisa foge do esperado, nos frustramos.

Foi o que aconteceu quando soubemos da condição de Maria Isabel, ficamos de luto por alguns dias.

De luto por nossos sonhos e expectativas. E foi importante para chorar, sofrer, cair no chão, chorar horrores.

Quando existe aceitação.

Mas, depois, a gente levantou o rosto e enxergou aquele ser magnífico e perfeito à sua maneira. E pudemos dizer, de coração, “Eu te amo”.

E foi o “Eu te amo” mais sincero do mundo. Esse amor nos fez transformar uma notícia “ruim” em uma maravilhosa! Sim, ela tem uma deficiência, mas agora com a aceitação do diagnostico sabemos que todos temos nossas diferenças.

A diferença é que a dela tem comprovação médica e a nossa ainda não descobrimos.

Acredito que o maior desafio de ter um filho com síndrome de Down ou qualquer outra problemática é desconstruir o preconceito das pessoas.

É fazê-las entender que, sim, é uma criação desgastante e corrida, com terapias e consultas médicas.

Ao mesmo tempo, fazê-las entender que, apesar de tudo isso, somos felizes e mais completos. É comum ouvir os pais dizerem que queriam que o tempo passasse mais devagar, que desejariam que seu filho fosse pequeno por um período mais longo.

Tenho esse privilégio, de ter uma filha pequena por mais tempo. O que não me impede de curtir cada conquista como se fosse uma medalha de ouro nas Olimpíadas.

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